O suposto uso de pneus de baixa qualidade nas viaturas da Policia Militar de Mato Grosso do Sul preocupa servidores militares estaduais que trabalham com os veículos em situações críticas, como perseguições em alta velocidade ou manobras bruscas. Nesta segunda-feira (1), uma guarnição se acidentou em Campo Grande quando os policiais tentavam alcançar suspeitos de um roubo que fugiram de moto.
A viatura acabou batendo e derrubando parte do muro no Cemitério Cruzeiro, na avenida Cônsul Assaf Trad, mas ninguém ficou ferido.
Os policiais que estavam no carro saíram ilesos e não quiseram comentar o episódio.
Aliás, na corporação, ninguém quer se expor, com medo de enfrentar sanções impostas pelo regimento militar.
No entanto, nas fotos feitas pela reportagem do Jornal Midiamax, foi possível identificar que os pneus são de marcas asiáticas, comumente contrabandeadas do Paraguai e apreendidas nas rodovias de MS.
O veículo envolvido no acidente com os policiais, um SUV da marca Chevrolet, modelo Trailblazer, tinha um pneu dianteiro da marca chinesa Hi Fly, e um traseiro do mesmo lado da marca Aderenza, fabricado pela companhia Qingdao Fullrun Tire Corp Ltd, também chinesa.
As duas marcas são até vendidas no Brasil e informam ter certificação, mas são famosas em Mato Grosso do Sul como opções de preços mais baixos no Paraguai.
O uso de pneus de marcas, especificações e até mesmo desenhos diferentes no mesmo carro, até para uso considerado de baixo risco, não é recomendado.
Para os policiais militares, a falta de confiança nos pneus aumenta o risco de serem obrigados a pagar por danos nas viaturas.
“Tem pneu que deve vir de apreensão sendo usado sim, porque chegam até um dentro do outro, como os contrabandistas costumam preparar.
Não sei se as marcas são de qualidade, e são colocados nas viaturas sem qualquer preocupação com a formação dos jogos. Separam para garantir que as medidas sejam as mesmas, e pronto, vão montando.
Numa situação de frenagem de emergência, ou numa curva rápida, por exemplo, é claro que a gente sente diferença na aderência”, relata um policial.










