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“Maior presente do mundo”, conta mulher que recebeu rim de irmã

Movida pelo amor à irmã mais nova, Rosana Pereira da Costa, de 30 anos, decidiu doar uma parte de si no momento em que a saúde de Laisa Pereira, de 28 anos, passava por um das fases mais delicadas da vida. Diagnosticada com uma doença renal rara, a jovem precisava com urgência de um transplante de rim.

Às vésperas de completar 14 anos, em 2007, ela descobriu que tinha Glomerulopatia por C3, uma doença crônica que afeta o glomérulo, região responsável por filtrar o sangue e formar a urina. No começo, o quadro era tratado com medicamentos para retardar a piora da função renal.

“Eu não sentia dor, mas o meu corpo inchava muito e a cor da minha urina era escura. Às vezes, a gente não dá importância para uma coisa tão simples como urinar. Eu sentia vontade de ir ao banheiro, mas não conseguia fazer nada”, conta a jovem, que é dona de casa.

Desde 2018, Laisa, que mora em Pirenópolis (GO), aguardava por um rim compatível em uma lista de São Paulo. Na época, ela precisava viajar à Brasília três vezes por semana para realizar hemodiálise devido à insuficiência renal terminal. O percurso de ida e volta entre as cidades durava em torno de 4 horas.

“Eu e a minha família não tínhamos muita informação sobre o processo de doação de órgãos e não aparecia nenhum rim compatível com o meu. No começo, eu não queria que alguém da minha família fosse o doador vivo, pois tinha medo dos riscos da cirurgia para a outra pessoa”, relembra Laisa.

Presença da família 

Contudo, a vontade da família de ajudar acabou vencendo o medo. A irmã e a mãe da jovem se ofereceram para realizar os exames de compatibilidade e dar sequência ao procedimento. Porém, apenas uma delas era a doadora ideal.

A compatibilidade necessária nos transplantes é definida pelo HLA (do inglês Human Leukocyte Antigen). Esse complexo de genes codifica proteínas que são responsáveis pelo processo de rejeição após a realização do transplante.

Por isso, quanto maior o número de semelhanças do HLA entre doador e receptor, maiores são as chances de sucesso do transplante a longo prazo.

“Lembro de até ter sonhado que uma voz me dizia que eu seria a doadora. Dito e feito: fui indicada como 100% compatível. Superei os meus medos e aceitei doar por amar a minha irmã”, conta Rosana.

A cirurgia de sucesso das irmãs ocorreu em julho de 2021, no Hospital Santa Lúcia de Brasília, e durou em torno de seis horas. “A vida pós-transplante tem sido como se eu tivesse nascido de novo. Minha irmã é a minha heroína. Ela me deu o maior presente do mundo”, celebra, emocionada, Laisa.