Rio Brilhante Registrou 180 Casos de Violência Contra a Mulher nos Últimos Três Anos

Em sua fala na tribuna durante sessão ordinária do Poder Legislativo de Rio Brilhante, a vereadora Lívia Dias destacou a importância da campanha Agosto Lilás e apresentou informações sobre o fluxo de atendimento às mulheres vítimas de violência no município. A parlamentar reforçou que o enfrentamento à violência deve ser uma responsabilidade compartilhada por toda a rede de proteção e pela sociedade.

Segundo Lívia, o atendimento pode começar em diferentes portas de entrada, como o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), o CREAS, unidades de saúde, escolas, Polícia Militar, Polícia Civil ou Conselho Tutelar. A partir da identificação ou relato da violência, os órgãos atuam de forma integrada, cada um dentro de suas atribuições.

“O CRAM faz o atendimento especializado à mulher, com escuta qualificada, plano individual e articulação da rede. O CREAS realiza o acompanhamento familiar e o apoio socioassistencial. A saúde oferece atendimento médico e psicológico, além das notificações e encaminhamentos. A educação atua na identificação, prevenção e orientação”, explicou a vereadora.

Ela também destacou a atuação das forças de segurança, do Conselho Tutelar, da Defensoria Pública e da OAB Mulher, além dos setores responsáveis pela coordenação e monitoramento das políticas públicas voltadas à proteção das mulheres.

“Estamos falando de uma rede responsável por acolher, proteger e intensificar as nossas políticas públicas para as mulheres”, afirmou Lívia, ressaltando que a informação é uma importante ferramenta para que as vítimas saibam onde buscar ajuda.

Números reforçam importância da prevenção

Durante sua fala, a vereadora apresentou dados referentes ao acompanhamento de mulheres vítimas de violência em Rio Brilhante. De acordo com as informações mencionadas por Lívia, o município registrou aproximadamente 180 casos nos últimos três anos e dois meses, com 126 acompanhamentos atualmente. Desse total, 62 estão relacionados à área urbana e 33 à área rural, além de um caso envolvendo uma mulher indígena.

Lívia chamou atenção ainda para o fato de que a violência nem sempre está relacionada à dependência financeira. Segundo ela, muitas das mulheres acompanhadas são trabalhadoras, independentes e não dependem economicamente de seus parceiros, mas enfrentam situações de violência emocional e psicológica.

A vereadora também alertou para a necessidade de ampliar o debate sobre as causas da violência contra a mulher e reforçou a preocupação com os índices de feminicídio registrados em Mato Grosso do Sul.

“Vamos deixar aqui esse ponto de alerta, esse ponto de atenção. Não podemos nos calar diante de um assunto tão importante”, destacou.

Políticas públicas precisam permanecer em pauta

Lívia Dias também agradeceu aos profissionais e gestores envolvidos na campanha Agosto Lilás e defendeu que as ações de conscientização não se restrinjam ao mês de agosto.

Para a vereadora, cabe ao Poder Legislativo contribuir para ampliar o acesso da população à informação e manter as políticas públicas de proteção às mulheres permanentemente em discussão.

“Não pode ficar só no mês de agosto. Precisamos levar essa informação a mais e mais pessoas quantas vezes forem necessárias”, afirmou.

Ao encerrar sua fala, Lívia reforçou a mensagem de acolhimento às mulheres vítimas de violência e colocou seu mandato à disposição das ações de enfrentamento à violência.

“As nossas mulheres nunca vão estar sozinhas. Nós temos uma rede de proteção e uma rede de acolhimento”, concluiu.