/Bandidos que fizeram idosa refém em Campo Grande dizem que eram as vítimas

Bandidos que fizeram idosa refém em Campo Grande dizem que eram as vítimas

Paulo César da Luz Lazaretti de 38 anos e John Willian Silva da Silva Luz de 31 anos negaram que tenham mantido a idosa de 81 anos e a cuidadora de 51 anos reféns durante o roubo frustrado a casa no bairro Coopharádio, em Campo Grande. Eles afirmaram que a idosa estava armada.

Os dois ladrões, tio e sobrinho, contaram em depoimento que estavam em um bar bebendo cerveja e pinga, na região da Vila Alburquerque dede cedo quando resolveram sair em busca de outro bar, na região do bairro Tiradentes. Foi quando viram a acasa, que segundo eles, parecia que não tinha ninguém.

Eles, então, resolveram pular uma cerca para furtar cadeiras de fio e uma rede que estava na varanda, quando segundo os criminosos apareceu a idosa armada atirando contra a dupla. Os dos conseguiram desarmar a moradora e a levaram para dentro da residência.

De acordo com Paulo, a cuidadora chegou depois e foi colocada sentada na cama junto da idosa. Já na versão de Willian, a mulher já estava na residência quando eles invadiram. Paulo ainda negou que tenha feito as mulheres de reféns dizendo que assim, que os policiais chegaram a casa se entregaram aos militares.

Já o sobrinho contou que após desarmar a idosa e colocar às duas mulheres no quarto passaram a revirar o cômodo atrás de objetos de valor. Ele disse que quando os policiais chegaram fizeram a exigência da imprensa para que pudessem sair em segurança da residência.

Os dois bandidos negaram que tenham feito disparos dentro da casa e não souberam responder porque não fugiram quando viram que a idosa estava armada.

Foram 4 tiros 

Foram quatro disparos feitos por Paulo e John, com um revólver calibre .38 durante o roubo frustrado que acabou com duas mulheres reféns. As duas mulheres foram resgatadas após 2 horas de negociação. Informações obtidas pelo Jornal Midiamax com o registro da ocorrência são de que foram feitos quatro disparos, um deles atingiu a porta do banheiro e outros dois o teto da casa.

Outro tiro teria sido disparado contra a janela da residência — e foi ouvido por um repórter do Midiamax que estava ao telefone com um dos criminosos, que ligou para o jornal exigindo a presença da imprensa. Cerca de 11 policiais participaram da negociação para libertar a idosa de 81 anos, e a sua cuidadora de 51 anos, que ficaram em poder dos bandidos. Policiais do Bope (Batalhão de Operações Especiais) e do Batalhão de Choque isolaram a rua para negociar com os bandidos.

Terror e coragem

Os policiais foram até a residência após ligação para o Ciops sobre a invasão a uma casa. Quando os militares chegaram, escutaram gritos de uma das vítimas, pedindo por socorro. Ela gritava que um dos autores estaria apontando uma arma para sua cabeça, impossibilitando assim que os policiais entrassem na casa. Foi pedido socorro e um dos militares ficou vigiando a porta da residência.

Foi iniciada a conversa com os criminosos, que disseram que não iriam mais machucar as vítimas, exigindo a presença da imprensa e de negociadores. Em seguida, chegaram ao local equipes do Bope e do Choque. Durante a conversa, os bandidos disseram que iriam levar as mulheres até um cômodo da residência para poder dialogar com os policiais.

Após ligar para a polícia, a mulher entrou na residência e pegou uma faca, em direção ao quarto, sendo surpreendida por um dos bandidos, que apontou o revólver para a sua cabeça. “Nunca passei por isso, não desejo a ninguém”, disse a mulher de 51 anos. Ela revelou que foi amarrada com um lençol pelos bandidos, mas como o nó estava frouxo, conseguiu se soltar.

O celular dela foi tomado por um dos autores, que fez mais disparos no quarto, dizendo: “Atira na cabeça dela e liga para a mídia”. Os criminosos ainda improvisaram uma barricada com as portas de um guarda-roupa, para impedir que os policiais entrassem e atirassem contra eles.

“Só pensava nela (idosa). Ela é como uma mãe para mim”, disse a cuidadora, que revelou pensar que iria morrer. A filha da idosa, que mora no interior, soube do cárcere e veio para Campo Grande, mas quando chegou ela já havia sido libertada. O genro da idosa disse que agora a ideia é levar a sogra para morar com eles no interior.